quinta-feira, julho 04, 2013

História.


Gostaria de dedicar alguns momentos para comentar sobre um tema que não tem saído de minha cabeça, dado o efeito dos últimos acontecimentos. Não comentarei sobre protestos e suas consequências midiáticas, políticas, econômicas e sociais. Minhas reflexões, ainda que superficiais e imediatas, tentam compreender de que formas os significados da palavra História vem sendo utilizado de maneira sub-reptícia (na sua expressão mais invasiva, quase infiltrada) e quase esgarçada. Esses usos, como consequência provável, levam ou poderiam levar a diversas e pouco aprofundadas noções que tornam a palavra imprecisa, soando muitas vezes como um conceito vazio e murcho de significados das quais ela é associada em meios teóricos. 

A alguns dias atrás, postei no Facebook uma frase em que considerava o uso da palavra História um disfarce hipócrita para a explicação dos acontecimentos atuais. Além de reafirmar aqui minha opinião, adiciono mais um ideia: Além do uso hipócrita, pois usado como disfarce para conter concepções atuais, ela ainda demonstra o profundo desconhecimento do que se entende por História.

Ultimamente tenho visto surgir muitos comentários tais como: "O Brasil está fazendo História!", "Estamos, pela primeira vez em muitos anos, (re)escrevendo a História do Brasil", "Vamos mudar a História do Brasil!"

Peraí, e desde quando alguém deixou de viver neste fluído contínuo, neste espaço-tempo que se chama História? Quer dizer que antes de mobilizações de vulto e demonstrações de indignação éramos seres não históricos?! Só fazemos História quando nos tornamos e nos sentimos importantes? Quando somos percebidos por políticos e meios midiáticos?

A História é produto último do cotidiano. As relações são presididas por gestos comuns, pela rotina. É ela a sua principal produtora e mantenedora e seu principal vínculo de mudança. Não são só 15 minutos de fama não, é mais do que isso! É perceber e identificar que sempre fomos e seremos agentes sociais e que os grandes acontecimentos nascem na tranquilidade do lar e no chão da fábrica. Os 15 minutos passam e a Histórica continua...

Vejamos como olha um Historiador:
Em termos práticos, ao voltarmos os nossos olhos para a História, aquela que aprendemos desde a escola, vemos que ela muitas vezes ao longo dos anos de aprendizagem foi reduto da vitória ou derrota de grandes Homens, Nações e Instituições. Essa visão historicista e pertencente ao século XIX reverbera com força em nossos discursos, não só porque nos reportamos a uma instituição que reflete conceitos básicos, mas porque ela é reduto de um passado de conhecimentos que a partir dali tendem a ser explorados de formar a dar um espetro cada vez mais ampliado de nossa compreensão sobre o mundo.

A escola é de muitas maneiras, uma das expressões básicas do conhecimento sobre o passado. Ela é histórica, mas isso não significa que deve ou precisa permanecer como fim último, visto que a sua própria provadora, a História, vive ao som dos segundos. Assim nos damos conta, ao vermos deslocadas expressões sobre o conceito, que muitas vezes a História que aprendemos não deve estar sujeita só a um tempo, ela deve  acompanhar e estar atenta a todos os movimentos da própria História!
Esse lapso seria fruto do desconhecimento sobre o passado?! Ou seria o não desenvolvimento deste conhecimento para além das obrigações sociais? E mais: Pode possuir raízes na descontinuidade e construções das concepções do que seria História. Essa que é pensada como parte integrante da vida humana, para além das escolas, em meio ao vivemos enquanto estas palavras estão sendo lidos. 

Nossa linguagem sobre o passado (e sobre o presente) é pobre, fruto de uma conscientização socio-histórica igualmente pobre. Isso acontece muitas vezes porque não tornarmos os nossos saberes parte integrante de nossas vidas cotidianas. De acharmos que discutir nossas necessidades comunitárias e seus caracteres econômicos e políticos são coisas de nerds, politizados, esquerdistas e filósofos de botequim. Filosofar no boteco não é besteira! É um exercício social histórico! O exercício histórico não vem sendo objeto de pratica constante por diversas deficiências estruturais e orgânicas a sociedade brasileira, que assumiu a mais de 500 anos um relacionamento paradoxal  com a História. Concepções que são impossíveis de assumir nestas breves palavras, mas que talvez são elevadas a categoria de "indiferenças ideológicas",  por não obedecer a lógicas comuns as necessidades do mundo atual, sendo  incutidas em um vão murcho e amorfo, muitas vezes incoerente, por não saber exatamente do que se trata.

Usar em vão a palavra História para designar um movimento social natural ao nosso estado de relações deixa entrever o quão o papel do historiador é pouco compreendido. Esse posicionamento escamoteia as tentativas exaustivas de tantos cientistas humanos em fazerem perceberem que o nosso objeto de análise é o hoje, espelhado no passado. De que nossas relações varrem o nosso objeto e andam junto com ele, mas que ainda precisa de evitar um contato direto para não ferir o olhar. Porém, que não deixa de olhar e refletir sobre, ainda que seja de maneira cautelosa o suficiente para não ganhar fama de Mãe Diná.

Então, você quer História?! Vá! Mas vá com calma!

Ao inflar e repetir o uso da palavra História preenchendo um vazio de relações que ainda não compreendemos com toda clareza (pois pouco estamos dados ao exercício), estamos fortalecendo para que o seu conceito cada vez mais seja um saco de retalhos desconexos. Em que qualquer palavra é usada para explicar ou dar sentido a movimentos históricos, pois pode ser entendido como um movimento de homens por mudanças. Viu como soa genérico e não explica nada? Além de estar destituído de toda a carga de expressões e de possíveis concepções imbuídas? Não podemos deixar que a História se torne só mais um saco semiótico indefinido, quando ela pode ser a expressão viva, consciente e com uma posição definida enquanto meio de conhecimento específico que pensa sobre a complexidade da expressão humana em plena ação seja no passado ou no presente.

E aí eu te pergunto: Você sabe o que é História?


Menina de Pano fazendo História, desde o retalho à casa de bonecas.

quarta-feira, agosto 15, 2012

Horário de Brasília, 36 graus Celsius.


Dizem os médicos que febre é sintoma de infecção. Eu estava com isso há uns tempos atrás, sabe. Fiquei doente, mas doente de um jeito diferente. O rosto estava perfeito, o corpo com saúde invejável, sem manchas esquisitas, os dentes estavam brancos. Mas lá no fundo do rosto, no canto escuro do corpo, na placa metálica da obturação, a doença se manifestava. Era esquisito. Um fraqueza, uma moleza, uma tristeza. Quem olhasse com atenção, e percebia a doença, ficava mais triste ainda. Era quase contagioso... mas uma contaminação que tinha senha na entrada, código de barras e uma porção de outros benefícios compartilhados.  Enfim, uma infecção que não saia de jeito nenhum. Isso durou um bocado, mais de um ano. Sabe aqueles ventos fortes que te pegam de surpresa e te deixam resfriado e com o nariz escorrendo durante dias? Pois bem, era uma coisa dessas que parece que durava anos. No grau das doenças, as infecções eram aparentadas, tipo... primas distantes.

Um dia eu decidi que ia me livrar dessa infecção. Não aguentava mais! A obturação já estava velha, o canto do corpo coçando. Assim não podia ficar. Comecei a ouvir música clássica, admirar galãs de foto novelas, tomar água de coco, ler revistas de moda. O projeto Xô Satanás era intenso, porque a Casa do Senhor estava interessada em outras companhias não tão más assim. Pulei, dancei, dei cambalhota, cantei, desenhei sol no chão para fazer a chuva parar e a infecção sair.
Eis que um dia, ela quis me deixar... Olhei no relógio. Eram 7 horas da noite, ninguém em casa. Ela chegou. Febre, febre, febrão. Ela estava querendo ir embora. E eu fiquei triste, acredita?! A infecção ia embora, me deixar sozinha... eu queria mesmo aquilo? Estava preparada ou não? Não tinha importância, ela tinha que sair. Remédio tomei, menina... a cama estava molhada de suor. Banho frio, água gelada... 10 horas da noite, horário de Brasília, 36 Graus Celsius. 

UFA! Acabou.

Pensa que acabou? Náda, ó... aquela era só a primeira parte. Mais tarde eu entendi que tinha que ser assim. Uma infecção de um ano não sai assim, sem mais nem menos. Né verdade? Sai em suaves prestações, sem a gente sentir no bolso. A primeira parcela tinha sido liquidada, a segunda foi cobrada alguns meses depois. Sabe como é, cada coisa de uma vez.

Muito serelepe, na condição de achar que a infecção tinha acabado, comecei a sentir um comichão bom perto do peito. Aqui, aqui desse lado aqui. Ai, que delicia. Fazia tempos que eu não sentia isso esses comichões bons. Aliás, acho que nunca tinha sentido aquilo antes. Os outros comichões batiam igual tambor, muito rápido, tão rápido que vou te ser sincera... as vezes incomodavam. Esse era diferente. Era... era um tratado de paz. Era calmo. Era quase como se fosse de outro mundo, quase divino. Era tão bom que eu não queria deixar de sentir. Ai pensei: Quero isso pra mim! Fui lá e pimba, decidi que seria permanente.

Ganhei uma febre de presente! Engraçado. Dessa vez durou o dia inteiro. Havia chegado o Adeus final, eu senti. A infecção não queria assinar o tratado de paz, decidiu então retirar suas tropas de plantão. 
A noite foi longa. Que batalha para ocupar posições estratégicas! Tudo muito bem pensado, entende? Coisa de gente inteligente, aquilo não era pra qualquer um não!

No outro dia acordei, e o horário de Brasília até se espantou dos modestos 35,5 graus Celsius. Ele estava pensando que iria dar mais... afinal, a noite foi de festa. Só sei que abri o armário, coloquei o óculos de sol e fui ver os pássaros lá fora. O comichão afagou meu peito e fez uma marquinha vermelha na minha pele. Me deu bom dia, passou pela porta e entrou na minha casa.

Acredita que continua aqui até hoje? Ainda bem.


Menina de pano, pano de Menina.

sábado, junho 16, 2012

Soma

Depois de alguns anos, algumas armadilhas armadas pelas pessoas e seus relacionamentos desanuviaram (mas não muito) as  nuvens em minha mente. Pássaros que sobrevoam a cabeça, ainda persistirão em voar constantemente sobre os relacionamentos, as cabeças e as pessoas, mas talvez o mistério que os envolve é muito menos misterioso do que aparenta.
Não sou especialista, nem grande estudiosa, sequer boa observadora. Apenas parei de olhar para os relacionamentos sociais como um mito que desloca certas pessoas de um suposto nível acima (o que é posição espacial quando falamos de algo tão subjetivo quando os homens e a sociedade? Mas vocês entenderam) das demais. Por mais que pensemos na existência classes sociais e níveis culturais, e que este fundo é objeto de estudos das políticas, obedecemos a mesma importância nas funções básicas de sobrevivência. Comemos, bebemos, choramos, dormimos, pensamos, amamos, morremos, etc. Dito isso, o véu que cai dos relacionamentos obedece o mesmo critério de posicionamento do kit de sobrevivência: Por mais que se relacionar seja uma arte política (estratégica, ideológica, democrática) ele obedece primeiramente a um senso de sobrevivência de nossos interesses em jogo.
Taí o grande furo de reportagem. Como ninguém é isento de opinião, logo, em nossas relações deixamos entrever os nossos principais interesses, mesmo que eles estejam escamoteado pelo bom mocismo, pela ganância, pelo amor, pela bondade. Infelizmente não conseguimos antever os passos do próximo, embora possamos conhecer suas reações de perto. O que na realidade, em um momento de tensão, isso não pode resultar em nada. Ou mais, pode gerar maior tensão dada uma reação inesperada. Essa é uma entre tantas reações que imprimimos nas nossas constantes trocas sociais, e que sugerem um posicionamento frente a ação do próximo. Estratégico, pois defende as crenças pessoais e coloca em xeque as questões do próximo.
Dada a base de nossas relação com o próximo, geralmente assumimos um postura de confiança desconfiada ao mesmo tempo que indicamos a compreensão, o respeito e a confiança. Os relacionamentos evoluem, mas marcas de nossas personalidades ao poucos imprimem o ritmo do arcabouço que constrói diariamente a coisa-relação. Mas... os relacionamentos exigem de nós mudanças e adaptações constantes, frente aos desafios da convivência.
Adaptar significa tentar equilibrar a esteira das emoções e das reações. Resguardar é conservar forças em um confronto de interesses. E se há confronto, há disputa. Se há disputa, há aquele(s) que vence(m) e aquele(s) que se deixa(m) vencer. Não vamos adotar um posição maniqueísta. Em uma determinada comunidade, se algo dá errado, provavelmente é porque todas as partes do acordo não tomaram suas ações com o mesmo objetivo. 
"Perder ou Ganhar" pode aguçar os nossos sentidos estratégicos. Para defender os nossos ideais ou para resguardar as nossas posições como perdedores/fragilizados ou vencedores/fortalecidos (binômios intercambiáveis). Ou tudo isso junto. Saber se posicionar é imprescindível para quem quer sobreviver no jogo das relações. Não é necessário escolher um lado, mas defender seu ponto de vista sobre os benefícios e malefícios que conduziram ao estado das coisas. Daí a ideia é se adequar a uma posição social. 

Para os que se posicionam de maneira incisiva, a sociedade cobra nossas posições até o final, mesmo que mudemos de opinião. Ainda que particularmente não pensemos de maneira maniqueísta, herdamos a infeliz defesa juidaica-cristão de ver o bem ou o mal, do certo e do errado. Mas o que entra em jogo aí, deixa de ser um posição de sobrevivência básica e passa a ser uma sobrevivência política. 
Quem será a próxima vítima agora?

Menina de pano sabe que + e - = - e que - e - = +

domingo, março 11, 2012

Medo do medo.



Uma onda de medo atravessa minhas sensações ultimamente. Mas não é qualquer medo. É um medo de raízes sociais, enterradas no mais profundo enlameado caldo cultural. Pressinto que de um momento para o outro, líderes de diferentes frentes religiosas, politicas, "ideológicas", econômicas e cibernéticas irão, como uma avalanche moralizadora, impor suas verdades, coagindo os outros através de maneiras possíveis. Através de leis, intimidações públicas, permissividade midiática, da influência do estágio avançado (e animalesco) de reprodução do capital. Através de uma sociedade ultra violenta, civilizadamente polida com um verniz selvagem - ao transportar as ações privadas para o público, com baixo senso ético, priorizando-o como visão pública do privado. Através de uma sociedade que impõe a negação ao próximo, substituindo-o por pequenas frases sem importância nos jornais, por moedas, entorpecentes (aquilo que entorpece os sentidos, o bom senso), jogando-os ao descaso, pela paranóia, pelo egoísmo, pela xenofobia e preconceito. Neste caminho que muitos de nós trilhamos, esquecendo de nós mesmos, entre a buscar pelo prazer incessante e o desespero pela vontade de vencer, de possuir cada vez mais. Insaciáveis dormentes.

Esse medo é avassalador. E não é sonho, é real e está acontecendo agora. Mas sua força, ainda não é uma onda incontrolável. É o quebra mar, em vai e vem contante.

Tenho a sensação de guardar esse medo de maneira latente, a espreita, nas sombras, esperando o momento certo para atacar. Esse medo é o eco das massas nas praças, que também sentem o rastro medo, ainda que inconscientemente, pairando no ar, logo atrás de nós. O grito por justiça, liberdade e amor que joga o medo contra o medo, vontades contra vontades, joga na nossa cara que nós somos os únicos responsáveis por produzirmos os causas e as consequências de nossas próprios medos.
Esse medo é o que conserva os poderes, que mantem dogmas, que tenta se eternizar numa vida em que a única certeza é ceder. Dar lugar, abrir espaço. Morrer. Talvez o grito, a marcha, a dor, anuncie desde já que o medo é o temor do futuro, é o orgulho em querer se conservar do desconhecido. O medo dá medo. Mas ao ve-lo empurrar homens para a aceitação, o respeito, a compreensão e o entendimento, o medo é o verdadeiro nome do progresso. Mesmo que "evoluir" seja ainda um projeto de um horizonte distante.
Por aqui, ainda lutamos, erramos, acertamos, e seguimos tentando pacientemente vencer o medo de cada dia. O santo medo de cada dia, que se converterá no remédio do amanhã.


Menina de pano mede o medo pelo nariz.

sábado, novembro 19, 2011

Trago seu amor a qualquer preço!

Essa semana fui almoçar em um dos refeitórios da Universidade e acabei me deparando com uma conversa que gerou muitas reflexões. A coisa foi bem simples. Peguei a comida, sentei e começei a comer... e a viajar. Lá pelas tantas, entre pessoas passando com suas bandejas, conversas, gargalhadas, ouço uma frase ecoando a cima das outras. Frase que me fez parar de viajar na hora e a prestar atenção na conversa travada entre duas moças. (dissimuladamente a minha fisionomia ficou inalterada, mas o cérebro... ham, esse trabalhou na velocidade do assunto).


"Ela me disse tudo sobre a minha vida, sem eu sequer falar nada! Você precisa ir nela, vai adorar"

Desculpa, não deu para não prestar atenção na conversa. Por vários motivos.
1) A frase pairou na mesa solitária, então não tinha como não ouvir.
2) O tema normalmente gera certo suspense, afinal, uma mulher com supostos dons de adivinhação havia acertado alguma coisa - no caso, "tudo". Tudo o que?
3) O mercado da adivinhação tem clientela variada (entre loucos, medrosos, malucos, ciumentos, os universitários, que reúnem possivelmente todas essas caracteristicas e mais, estavam nas estatísticas).
4) Havia o fato de estar sozinha, não ter nada para fazer naquele momento além de comer e parabenizar a jovem sentada próxima de mim pela coragem de ter ido a uma Dona Jussara Trago Seu Amor A Qualquer Preço, Pode Confiar, É Garantido.

Resumo da História
Ela havia ido numa advinha oriental, pedido conselhos sobre sua vida (provelmente certa de ouvir soluções para seus problemas), ouvindo respostas que remetiam a sua trajetória de vida. Isso logo passou a indicar que a advinha era realmente "boa", o que me faz supor, que os conselhos foram interessantes e "úteis". Por isso ela aconselhou a amiga a ir nela também. "Ela vai falar tudo sobre a sua vida, vai ver só".

A parte das causas e consequências de conselhos dados, e o que se faria a partir deles, me peguei pensando o quanto somos inseguros a respeito de quais decisões devemos tomar quando uma problema precisa ser solucionado. Não que não precisamos ouvir conselhos quando dúvidas, incertezas surgem ou quando não conseguimos identificar de onde vem as falhas, quando eles aparecem. Conselhos muitas vezes orientam, direcionam, incentivam e ajudam a melhorar quando analisados criticamente, racionalmente.
O problema é que muitas vezes as decisões precisam partir de nós e ninguém, nem mesmo os homens mais sábios e doutos da terra, com poderes quase místicos podem adivinhar. Coisa que nos chateia, nos tira de nossas zonas de conforto. Isso demosntra a atitude de não querer se responsabilizar pelo erro que podemos vir a cometer caso erremos em nossas decisões. Deixar que o outro decida tira a culpa de nossas costas, bem como o peso da responsabilidade em executá-la.
Tomar decisões importantes é difícil. Eu sei disso. Todos sabem. Mas se desabonar da decisão é não querer vencer a marcha pelos próprios pés. E culpabilizar os fatores externos pelos nossos erros, nós já fazemos isso todos os dias quando reclamamos do governo, da política, da guerra, da vida em geral. Nós apenas recebemos na ressaca da onda, aquilo que enviamos para o mar.
Talvez o melhor conselho a seguir seja: Refletir, analisar, pensar e se perguntar se o que desejamos faz realmente sentido para as nossas vidas. O negócio é espantar a insegurança pra lá, e tomar as rédias da própria vida nas mãos. Pois assim como a moça quer respostas para a sua vida, eu também as quero para minha. Por isso penso, logo existo.


Menina de pano não é fofoqueira não! Apenas analisa aspectos da vida cotidiana.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Fora da Ordem.

A crise caminha por um tapete vermelho.

Entre flashes, sorrisos, saudações e comprimentos uma crise socioeconômica sem precedentes caminha em direção indefinida. Longe de pensar que ela anda sozinha, essa crise vem acompanhada dos subsídios culturais que circulam, em trocas, aceitações e negações pelo mundo afora, mostrando a força da ocidentalidade frente a morosa aceitação de que algo inquieta os ânimos da humanidade. Tenta-se compreender a que ponto chegamos com a Crise Glocal (nome que pra mim, tenta dar conta da complexidade do momento e do movimento de modificação estrutural, social, politica e econômica construída após a 2 Guerra Mundial) - crise que expressa intensa troca entre o global e local - quando na realidade, essa crise pode ser pensada como uma construção conjuntural sem forma e heterogênea, a partir do final da década de 1970. Num repasse, temos crises ligadas ao setor petroleiro, uma proto-crise financeira, a lenta desestruturação da Social-Democracia, a retomada do impulso exploratório do capital, de caráter mais agressivo e humano-desagregador. A luta pela voz latino americana, a bela e angustiosa respiração das Africas, as espadas afiadas dos Tigres Asiáticos, fazendo o mundo dançar suas musicas hipnotizantes. Temos um socialismo derrapante, um capitalismo se achando triunfante e revoluções sociais, tecnológicas, culturais, pessoais colocando lenha na fogueira do Milênio com medo do Bug.
Bem provável que alguns de vocês já ouviram falar que a crise é reflexo de uma sociedade desiludida com a democracia e com o projeto capitalista, extravasando suas mais terríveis angustias e perdas no cotidiano. Não deixo de pensar na validade de tal proposição. As democracias que foram pensadas para "todos", na verdade, só alguns podem desfrutar. Pois o cerne da Democracia Moderna está invariavelmente ligada, desde ao projeto iluminista, a uma parcela da população que concebe de maneira muito específica os conceitos de liberdade, fraternidade e igualdade.
De um esfarrapado instrumento de trocas, à formação de um sistema unificador de economias, a massa amorfa do capital se transformou em capitalismo. Do doce gosto das especiarias às guilhotinas francesas, a transformação exponencialmente veloz do capitalismo, nos brindou com maior velocidade e rapidez a construção de uma aldeia global. De instrumento de caça a instrumento de combate e luta, a lamina do capital produtivo, e mais recentemente, o do financeiro, tem nos dado boas marcas na pele. Entre mortos e feridos, (ainda) estamos bem.
Eis que chegamos ao cotidiano, feridos pela inocência quase assassina do acúmulo indiscriminado, sem sabermos se o elixir da vida, ingerido em grandes quantidades é o veneno que destrói ou o remédio que salva. Se as ganas de obtermos mais em posses, em conhecimentos, em lucros, não fosse levada a frente, não compreenderíamos, por exemplo, o que é Ciência. A ciência é o fruto rico do capitalismo, do cotidiano. O cotidiano é fruto do cotidiano. A politica é fruto do mesmo fruto, assim como o capital. O homem é cotidiano, sua vida é repetir, provar, procurar, buscar. Cavando minas, fazendo o carnaval, descobrindo átomos, inventando a TV.
Somente ao adquirir estrutura e status de sistema, ciência, politica e economia foram passear no bosque, deixando o homem para sentir a sua perda. Esquecido, destronado, o homem se autoflagela, imperdoavelmente, não por criar belos frutos, mas por permitir que eles possam ter o poder de feri-lo. O homem extravasa no cotidiano a incapacidade de racionalizar o que de bom e de ruim pode cometer contra si, contra os demais, contra as "estruturas", perdido, sonhando com a Era de Glória dos tempos passados. Que não foram de glória, longe disso. Foram de perdas e ganhos. Porém, hoje, são pura nostalgia.

Homens poderosos caminham por tapetes vermelhos.
O tapete vermelho é um dos muitos vasos, de raízes capilares em que jorra o sandice humana de querer conservar. O homem moderno não passa de um respeitado senhor conservador, que sente a hemorragia dos novos tempos com sorrisos. A crise!? Ela vai bem, e vai perdurar durante um bom tempo. A crise é uma nova estrutura, ao lado da ciência, do capital. Ela é a expressão viva do cotidiano. A crise é o ponto máximo antes da mudança de conduta. E ela só passará quando o homem acordar de seus sonhos dourados de ventura e perceber que a vida é soma, diminuição, divisão, multiplicação. Por enquanto ele sonha com castelos de areia. Amanhã acordará sem nada, pois sonhou que não poderia perder o que não pode manter para sempre.
O "para sempre"? Sempre acaba. Sejam todos bem vindos ao teatro da vida. Luz, câmera, ação.

Menina de Pano. Só.

segunda-feira, outubro 24, 2011


O desenho no cabeçalho da página foi feito por Mary Blair, que foi durante muito anos, animadora, desenhista e ilustradora da Walt Disney. Sua arte é encontrada nas animações Peter Pan, Alice no País das Maravilhas, Cinderella, Dumbo, entre outros. Blair não é conhecida para o público, mas seu jeito único de desenhar inspirou muitos cartonistas mundo a fora, entre eles o escritor e ilustrador francês Alain Grée.


Alain Grée

Mary Blair



Dito isto, sigamos com as postagens.

Próxima!


Menina de pano gosta de coisa bonita e colorida. Igual as crianças.